sábado, 3 de junho de 2023

IMPROVISAÇÃO EM DANÇA

Quando se utiliza os recursos disponíveis para elaborar algo de novo, sem partir de critérios específicos, aplicando uma forma imediata e espontânea, sem copiar composições anteriores, pode dizer-se que foi adoptada a técnica de improvisação. Na improvisação são permitidas conexões inventadas, logo que as mesmas se proponham satisfazer a intenção desejada. Torna-se assim um processo que facilita a acção e imprime grande liberdade de escolhas, algumas inconscientes, que emergem como necessidade de execução sem limites. Na improvisação é desejável fazer-se tábua rasa dos conhecimentos anteriores, decorados ou assumidos como regras, para dar asas à imaginação e criatividade.

A improvisação pode, assim, ser considerada uma técnica, experimentada também em outras artes, nomeadamente na Música, no Teatro, na Literatura e mesmo na Pintura. Sendo uma forma muito pessoal de acção, esta técnica aplicada na Dança, é o resultado da mentalidade difundida no século XX, onde a liberdade de expressão procurou encontrar um espaço de afirmação, que se reflectiu na Arte, em valorização do individualismo, provocando a aceitação de diferentes personalidades e formas de expressão.
Se os princípios de liberdade difundidos pelos coreógrafos do século XX, causaram desencontros de ideias e conflitos de gerações, actualmente procura-se estar desperto para constantes mutações de formas e estilos, sendo a experimentação a palavra de ordem para novas descobertas e meio de permanente novidade.

Actualmente muitos coreógrafos utilizam a Improvisação como ferramenta de composição utilizando vários métodos para a criação de material coreográfico como por exemplo: Steve Paxton (1939, Los Angeles) e Anne Teresa De Keersmaeker (1960, Mechelen). Ambos utilizam a relação entre composição/ improvisação, onde uma estrutura fixa e a “improvisação” interagem harmoniosamente uma com a outra, criando uma conexão entre o material familiar e o desconhecido. Para estes coreógrafos, a Improvisação consiste no balanço entre a construção de regras e o encontro da liberdade.